Caiu hoje a primeira chuva do ano em Israel. É motivo de comemoração para um país onde não há chuva durante pelo menos nove meses do ano. Bom, tecnicamente não foi a primeiríssima, porque no ano novo judaico garoou. Mas mabul, ou “toró”, em português, foi o primeiro.
E eu, motoqueiro telavivense, que estava a caminho de uma palestra, tive que parar em um posto de gasolina para esperar o fim da chuva – e o solzão que veio logo depois! É que dirigir durante a primeira chuva pode ser arriscado – como durante muito tempo não chove, as ruas ficam molhadas e o óleo acumulado provoca derrapadas inevitáveis (e perigosas para quem anda sobre duas rodas).
Enquanto esperei, num cantinho coberto ao lado do posto, fumei um cigarro, depois outro, atualizei meu status no Facebook e aproveitei que tenho Fring no celular para chatear com amigos no MSN e no Skype. Viva a tecnologia nessas horas! E fiquei cantarolando Raindrops keep falling on my head, que dá o tom desse post.
A primeira chuva em Israel, pela importância do começo da “temporada molhada” tem até nome, iorê. E embora muita gente se irrite com os percalços e dores de cabeça da chuva, em geral ela é recebida com entusiasmo. Há regiões muito secas no país e água é uma das questões importantes no conflito com os países vizinhos, porque os recursos, repartidos, são escassos.
A “iorê” tem também um simbolismo especial no judaísmo, porque anuncia a chegada da estação mais fria e chuvosa na região. E me lembrei de uma coletânea de poemas, com o prefácio assinado pelo atual presidente israelense Shimon Peres, que leva o simpático nome After the First Rain: Israeli Poems on War and Peace.