Outubro 29, 2009

A primeira chuva onde não chove

Caiu hoje a primeira chuva do ano em Israel. É motivo de comemoração para um país onde não há chuva durante pelo menos nove meses do ano. Bom, tecnicamente não foi a primeiríssima, porque no ano novo judaico garoou. Mas mabul, ou “toró”, em português, foi o primeiro.

E eu, motoqueiro telavivense, que estava a caminho de uma palestra, tive que parar em um posto de gasolina para esperar o fim da chuva – e o solzão que veio logo depois! É que dirigir durante a primeira chuva pode ser arriscado – como durante muito tempo não chove, as ruas ficam molhadas e o óleo acumulado provoca derrapadas inevitáveis (e perigosas para quem anda sobre duas rodas).

Enquanto esperei, num cantinho coberto ao lado do posto, fumei um cigarro, depois outro, atualizei meu status no Facebook e aproveitei que tenho Fring no celular para chatear com amigos no MSN e no Skype. Viva a tecnologia nessas horas! E fiquei cantarolando Raindrops keep falling on my head, que dá o tom desse post.

A primeira chuva em Israel, pela importância do começo da “temporada molhada” tem até nome, iorê. E embora muita gente se irrite com os percalços e dores de cabeça da chuva, em geral ela é recebida com entusiasmo. Há regiões muito secas no país e água é uma das questões importantes no conflito com os países vizinhos, porque os recursos, repartidos, são escassos.

A “iorê” tem também um simbolismo especial no judaísmo, porque anuncia a chegada da estação mais fria e chuvosa na região. E me lembrei de uma coletânea de poemas, com o prefácio assinado pelo atual presidente israelense Shimon Peres, que leva o simpático nome After the First Rain: Israeli Poems on War and Peace.

Outubro 28, 2009

Trilha sonora de quarta à tarde

Passei o dia todo hoje ouvindo Kings of Convenience, que eu não conhecia, e a quem fui apresentado pela Ana Néca. Delícia. Trilha sonora ótima para trabalhar, para pensar, e para momentos como este.

Deixo então um vídeo e a letra de Power of Not Knowing.

Outubro 28, 2009

O tal do op-ed

It occurred to me that nothing is more interesting than opinion when opinion is interesting, so I devised a method of cleaning off the page opposite the editorial, which became the most important in America … and thereon I decided to print opinions, ignoring facts

A frase acima, de acordo com a Wikipedia, é de autoria de Herbert Bayard Swope, jornalista norte-americano que viveu entre 1882 e 1958 e ganhou um Pulitzer em 1917 (o primeiro ano em que o prêmio foi entregue) por uma série de reportagens que fez sobre o império alemão.

Soa ousado, eu sei, mas acho que em tempos de internet – portanto bem depois da frase de Swope – nunca foi tão atual. Os jornais e os jornalistas mais e mais precisam entender que o papel que sai no dia seguinte ao fato, hoje, tem valor bem diferente daquele na época em que o Pulitzer foi criado. Notícia que já foi publicada na internet, comentada em blogs, retuitada e virou conversa de bar não tem razão de ser impressa, mais.

Mas não estou sugerindo a morte dos impressos, não. Mais e mais, jornais precisarão ignorar os fatos, e dar aos leitores a análise que falta na correria para dar o fato primeiro. E a opinião. A digestão que custa a muitos fazer. É a mistura do editorial com o tal do op-ed, que traduzimos erroneamente como opinião/ editorial, mas que se refere à pagina oposta à dos editoriais, opposite the editorial page.

Aliás, como conta a Wiki, o conceito do op-ed foi mesmo invenção do autor da frase que abre esse post. Nada é coincidência.

Outubro 26, 2009

O sole mio, por rabinos

Mais porque adoro a canção, e menos porque são rabinos.

E a letra, no original e traduzida para o inglês, aqui.

Outubro 19, 2009

De novelas e famosos

Muita gente sabe, mas pode ser que você não. Trabalho, aqui em Israel, desde o segundo trimestre de 2008, com telenovelas. Te-le-no-ve-las, sim, porque somos todos latinos – você também! – e aqui lido com produtos de toda a América Latina – o que inclui aquelas que você adorava, que deve ter visto no SBT na época em que o canal não tinha dinheiro para produzir. É. Novelas, enfim.

Mas, diferente do que muita gente pensa, eu não traduzo diálogos dramáticos de traições e romances proibidos. Entendo, é natural achar que essa é a minha função. Moro em Israel, falo hebraico e sei espanhol e português o bastante para traduzir as novelas argentinas, brasileiras*, mexicanas, colombianas etc que a empresa, uma multinacional israelo-argentina presente em cinco países, traz.

E tem outra coisa, que talvez você não saiba. Aqui na televisão israelense as novelas não vão ao ar dubladas. Novelas, como qualquer outro programa, são legendadas em hebraico (e às vezes em árabe ou russo). Então o trabalho é grande, e de fato a empresa tem um departamento (que é mais uma divisão) responsável por codificar os dramalhões.

Sou, então, indo ao que interessa, produtor do site Novebox.com, que mistura as novelas com a mais recente febre mundial, as redes sociais. Loucura para uns, ousadia para outros. E é neste barco que venho navegando.

*Se ficou curioso, agora estão passando no canal Viva, que pertence à mesma empresa onde trabalho, América e Páginas da vida. Sucessos de bilheteria, se bilheteria existisse pra ver novela. É que israelense ama o Brasil.

Outubro 19, 2009

De quando fui carteiro sem poeta

Durante alguns anos, e até o fim de 2008 (e começo do último capítulo do arranca-rabo entre israelenses e palestinos), fui um carteiro sem poeta. Blogueiro mais maduro, que abandonou a 23a idade para percorrer caminhos mais sérios e contar coisas que meus olhos observadores registravam. Fui autor do blog que nomeei em homenagem ao livro que li quando ainda não era gente grande.

O blog não é mais atualizado desde dezembro, fechando um ciclo. Mas está lá, para quem quiser passear pelas minhas letras.

Outubro 13, 2009

Desculpe a confusão

Chegou a hora de colocar ordem na casa e reunir aqui, depois de (bem) mais de dez anos de jornalismo, alguns dos meus trabalhos já publicados mundo (!) afora.

Para quem não me conhece, sou Gabriel Toueg, 30 anos, jornalista brasileiro vivendo há quase seis no Oriente Médio – 3 em Jerusalém, quase 3 na região de Tel Aviv. De lá, tenho trabalhado como colaborador e correspondente para a imprensa brasileira (O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo, revistas das editoras Abril e Globo,  e as rádios Eldorado, RFI e CBN). Antes, trabalhei como repórter e editor em revistas especializadas.

Chegou a hora, então, de acabar com a confusão. Aos poucos vou reunir meu trabalho por aqui.

Bem-vindos.