Jornalismo internacional e o cheiro da guerra

Estive na semana passada no campus de Mogi das Cruzes da Universidade Braz Cubas, participando de um debate com o Apu Gomes, repórter fotográfico da Folha, que esteve duas vezes na Líbia, e com o blogueiro Bruno Cardoso. Fui com a complicada tarefa de substituir a minha colega de redação Adriana Carranca, que não pôde ir – complicada porque a Adriana esteve duas vezes no Afeganistão, visitas que renderam o excelente livro “O Afeganistão depois do Talibã”.

Apu Gomes, Gabriel Toueg e Bruno Cardoso na UBCFoto: Thales Willian

Devo dizer que foi uma oportunidade bem bacana de conversar com estudantes de jornalismo sobre essa profissão apaixonante e sobre a tarefa não menos viciante de cobrir conflitos. Falamos de ética e sensacionalismo, de riscos que corremos no exercício da profissão e de outras questões pertinentes ao trabalho fora do país. Achei (e sugiro a leitura aos interessados) um livro bem legal sobre o assunto, de uma coleção da Contexto que eu já conhecia: “Jornalismo internacional”, de João Batista Natali (2004).

Em determinado momento, falei sobre o “cheiro da guerra”, tirando risadas dos alunos. A ideia (“cheiro de guerra é cheiro de merda”) não é minha, não, mas do Nahum Sirotsky, sobre quem também falei na ocasião. Ele é um dos jornalistas ainda em atividade há mais tempo no “ramo” das coberturas internacionais, além de ter sido o personagem do meu trabalho final de graduação, em 2004.

Sobre isso, meu amigo e xará Gabriel Paciornik escreveu, relatando um encontro, na residência oficial da Embaixada brasileira em Tel Aviv entre o Nahum, o Cid Moreira, ele e eu. Vale a leitura do texto, do qual destaco um trecho:

 ”Cheiro de guerra é cheiro de merda”, me avisou o Nahum enquanto a gente tomava guaraná. “Quando cai uma bomba do lado de uma pessoa, ela perde total controle das funções intestinais”. E continuou: “Em 1973, eu fui fazer uma reportagem nas linhas perto da fronteira do Sinai com o resto do Egito. Eu fui entrevistar o cara dentro de uma cratera criada por uma bomba, com a esperança na máxima de que uma bomba não cai duas vezes no mesmo lugar. Mas caiu. Ali mesmo”.

Aproveito para deixar para os futuros “focas” as dicas que dei em uma palestra em um colégio, recentemente.

Deixe um Comentário

Filed under Palestras e debates

Deixar uma resposta

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Modificar )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Modificar )

Connecting to %s