De quando não ouvi Daniel Piza

Conheci Daniel Piza bem antes de ele me conhecer. Eu era leitor dele na época da Gazeta Mercantil, jornal que meu pai deixava no gigante banheiro da casa dele, espalhado e invariavelmente aberto na sua coluna predileta, com frases sublinhadas e anotações no canto das páginas.

Por isso, quando Piza lançou seu último livro, uma retrospectiva da última e complicada década, fiz questão de comprar dois volumes e pedir a ele uma dedicatória ao meu pai – e uma para mim. Enquanto assinava, ele comentou que lembrava de mim “lá do jornal”. A sala de Piza ficava logo ali, perto da Internacional, forrada de livros.

Para um jornalista bem menos iniciado e fã confesso que fui naquele momento, foi uma enorme satisfação saber que ele me vira e me reconhecera. Fomos colegas durante os últmos nove meses deste 2011, que termina amargo com a notícia de sua morte tão prematura.

Naquela ocasião em que conversamos rapidamente, Piza falou a leitores e fãs. Eu perdi a palestra que antecedeu os autógrafos porque saí tarde do jornal. Mas não houve quem não o tivesse elogiado enquanto esperava sua vez de ter seu “Dez anos que encolheram o mundo” autografado.

Tenho pouco a dizer a respeito daquela convivência. Houve um episódio, contudo, quando a Nasa decidiu aposentar os ônibus espaciais. Piza me entrevistou ao vivo na rádio Estadão ESPN a respeito. Ao me apresentar, ele se enrolou com a pronúncia do meu sobrenome e, sem saber, criou o “Touareg”, que acabou virando meu apelido na redação.

Recebi a triste notícia hoje de manhã, por email, do colega Gustavo Chacra, correspondente do Estadão em Nova York, para onde Piza iria no começo do ano. Era um sonho dele, como o Chacra escreveu. O sonho não será realizado.

O jornalismo, com a morte de Piza, encolheu, como o mundo do livro que escreveu. Deixo aqui meus sinceros sentimentos à família.

Da Folha, uma conversa com Piza às vésperas de 2008:

Olá, Daniel. Como é que você está?
Muito bem, obrigado. A única coisa que queria fazer mais na minha vida é viajar. E voltar a lugares como Portugal.

Bom, isso pode ser um bom desejo para 2008. Aliás, você já fez os seus pedidos para esse ano?
Para mim, que tudo continue como está, apesar das dificuldades de uma carreira assim numa nação como esta. Para uma nação como esta, que as pessoas não aceitem que tudo continue como está.

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Jornalismo internacional e o cheiro da guerra

Estive na semana passada no campus de Mogi das Cruzes da Universidade Braz Cubas, participando de um debate com o Apu Gomes, repórter fotográfico da Folha, que esteve duas vezes na Líbia, e com o blogueiro Bruno Cardoso. Fui com a complicada tarefa de substituir a minha colega de redação Adriana Carranca, que não pôde ir – complicada porque a Adriana esteve duas vezes no Afeganistão, visitas que renderam o excelente livro “O Afeganistão depois do Talibã”.

Apu Gomes, Gabriel Toueg e Bruno Cardoso na UBCFoto: Thales Willian

Devo dizer que foi uma oportunidade bem bacana de conversar com estudantes de jornalismo sobre essa profissão apaixonante e sobre a tarefa não menos viciante de cobrir conflitos. Falamos de ética e sensacionalismo, de riscos que corremos no exercício da profissão e de outras questões pertinentes ao trabalho fora do país. Achei (e sugiro a leitura aos interessados) um livro bem legal sobre o assunto, de uma coleção da Contexto que eu já conhecia: “Jornalismo internacional”, de João Batista Natali (2004).

Em determinado momento, falei sobre o “cheiro da guerra”, tirando risadas dos alunos. A ideia (“cheiro de guerra é cheiro de merda”) não é minha, não, mas do Nahum Sirotsky, sobre quem também falei na ocasião. Ele é um dos jornalistas ainda em atividade há mais tempo no “ramo” das coberturas internacionais, além de ter sido o personagem do meu trabalho final de graduação, em 2004.

Sobre isso, meu amigo e xará Gabriel Paciornik escreveu, relatando um encontro, na residência oficial da Embaixada brasileira em Tel Aviv entre o Nahum, o Cid Moreira, ele e eu. Vale a leitura do texto, do qual destaco um trecho:

 ”Cheiro de guerra é cheiro de merda”, me avisou o Nahum enquanto a gente tomava guaraná. “Quando cai uma bomba do lado de uma pessoa, ela perde total controle das funções intestinais”. E continuou: “Em 1973, eu fui fazer uma reportagem nas linhas perto da fronteira do Sinai com o resto do Egito. Eu fui entrevistar o cara dentro de uma cratera criada por uma bomba, com a esperança na máxima de que uma bomba não cai duas vezes no mesmo lugar. Mas caiu. Ali mesmo”.

Aproveito para deixar para os futuros “focas” as dicas que dei em uma palestra em um colégio, recentemente.

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Um ótimo apartamento para alugar

Queridos, talvez seja meio incomum usar este espaço para isso, mas quero avisar a todos que há um excelente flat, da minha mãe, disponível para locação na melhor região da Vila Olímpia (São Paulo). O apartamento está completamente mobiliado e equipado, com home theater, geladeira, máquina de lavar roupas, fogão, microondas.

Se vocês estiverem interessados ou se conhecem alguém que esteja procurando moradia em um apartamento de alto padrão na região, peço que entrem em contato comigo pelos comentários, abaixo, ou pelos meios de sempre (email ou telefone, para quem tem). Ajudem a divulgar nas redes e entre seus contatos!

O valor do aluguel é de R$ 3,5 mil, incluindo vaga (com manobrista), condomínio e IPTU. O edifício tem piscina, sauna, salão gourmet, quadra de squash, academia, serviços de faxina e arrumação.

UPDATE: Fotos!

Flat 1

 

Flat 2

 

Flat 3

 

Flat 4

 

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Gilad Shalit poderá voltar para casa

Gostaria de ter o tempo para escrever um post como o assunto merece, mas estou – como se pode imaginar – na maior das correrias. Por isso, deixo apenas um post que escrevi, no Radar Global, o blog da Inter do Estadão.com.br, com uma linha do tempo desde que o soldado Gilad Shalit foi capturado pelo Hamas, em junho de 2006, há exatos 1934 dias:

PARA LEMBRAR: A captura de Gilad Shalit

Em tempo, deixo também três textos que escrevi, neste e em outros blogs, sobre o mesmo assunto. Quando as coisas acalmarem, volto a escrever a respeito. Espero que não demore. Há também um áudio feito para a RFI em 2006, semanas após a captura de Shalit.

Até lá, deixo apenas um comentário: fazia tempo que eu não via israelenses e palestinos comemorando de forma tão intensa um mesmo fato.

As fotos, por aí, explicam.

Shalits: de pais a figuras de mídia 28set10

O Príncipe Verde 21set10

“Sou apenas o pai de um soldado capturado” 03ago10

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O discurso de Abbas e a reação dos diplomatas

O presidente palestino, Mahmud Abbas, falou em Ramallah hoje à noite (horário local) e rabiscou os termos do discurso que fará diante da Assembleia Geral da ONU na semana que vem. Em poucas palavras, disse que vai batalhar pelo reconhecimento pleno do Estado palestino junto ao Conselho de Segurança.

As fichas estão lançadas e ele, com isso, se mostra um incrível apostador, porque arrisca uma ajuda mensal de US$ 500 milhões dos EUA. Conversei logo depois do discurso com os embaixadores palestino e israelense em Brasília, Ibrahim Alzeben e Rafael Eldad, respectivamente.

(Outros textos meus no estadão.com.br)

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